Metodologia Ágil ou Tradicional, qual escolher?

*Por Márcio Santos

Um dos assuntos mais abordados sobre gestão de projetos nos últimos meses, é o embate entre os defensores de metodologias ágeis e os protetores das metodologias tradicionais.

Não podemos negar que a adoção de práticas ágeis para o gerenciamento de projetos tem crescido de maneira surpreendente ano após ano e aqui no Brasil de maneira mais efusiva.

Não é incomum encontrar oportunidades de trabalho que exijam dos gestores da área de TI a aplicação das metodologias ágeis, seja em projetos ou mesmo no dia a dia.

Mas afinal com o que estamos lidando? Qual a diferença real entre os modelos?

O fato a destacar é que em todas as metodologias de projetos é necessário o planejamento antes da execução, nenhuma metodologia te indicará a agir sem o mínimo de planejamento. Desta forma, a primeira grande diferença entre as metodologias se refere ao volume de esforço empregado no planejamento a ser realizado.

Se por um lado nas metodologias tradicionais há um esforço maior no planejamento, uma vez que todas as atividades do projeto são analisadas e programadas com antecedência, as metodologias ágeis se preocupam em realizar o planejamento de forma iterativa e incremental, desta forma planeja-se a curto prazo durante o percurso do caminho a ser trilhado.

O mais importante a fazer, antes de decidir qual metodologia deve ser empregada na gestão do seu projeto, é importante conhecer e compreender o funcionamento de cada uma delas. Deve-se avaliar o que cada uma pode oferecer, de acordo com as necessidades do projeto e alinhado ao objetivo da empresa e assim ponderar a escolha.

Tenha em mente que, optando por utilizar metodologias tradicionais, o conceito principal é de que um produto ou projeto só está completo quando ele é entregue 100% acabado e o cliente recebe o que pediu em sua totalidade.
Por outro lado, ao lançar mão das metodologias ágeis, os projetos são realizados em etapas (Sprints), sendo mais flexíveis nesse sentido e podem ser direcionados a produtos específicos ou eventualmente quando existem dúvidas a respeito da solução demandada.

Outro fator é que a sobrecarga em um projeto ágil é muito menor, o que gera economia de tempo desde a concepção até a execução, pois utiliza um controle de processos empírico, diferente do método tradicional que exige a utilização de processos muito bem definidos e extremamente organizados, neste caso (tradicional) o escopo do projeto é definido no início e não pode ser alterado após o início de seu desenvolvimento.

Caso seja necessária uma alteração em um projeto utilizando o modelo tradicional, você precisa pedir aprovação formal para alterar e assim passar para a próxima fase. Em um modelo ágil, é possível redefinir o escopo e/ou a prioridade num intervalo de uma ou seis semanas (no máximo).

Então, qual metodologia escolher?

Sintetizando as colocações anteriores, devemos compreender que na abordagem ágil, se planeja e executa repetidas vezes, então o produto é aprimorado de forma incremental até se obter algo que atenda a necessidade do cliente, essa abordagem é útil em projetos de desenvolvimento de software, ou por exemplo, um equipamento, que pode exigir funcionalidades extras ou diferenciadas.

Por outro lado, temos como exemplo o planejamento de um projeto aeroespacial que não pode ser feito de forma incremental, pois todas as partes, funcionalidades e todas as falhas precisam ser minimamente antecipadas. É preciso planejar com antecedência, pois há situações em que não é possível corrigir uma falha que não foi prevista ou incluir a funcionalidade que foi esquecida (como um controle de vôo).

Projetos deste tipo, onde erros custam vidas e consequentemente custam milhões em prejuízo a empresas, a metodologia deve ser cuidadosamente analisada e escolhida. Podemos concluir então que ambas abordagens são excelentes, cada uma possui sua vantagem e sua fraqueza, em determinados tipos de projetos distintos. Mas se forem aplicadas em conjunto, tendem a fortalecer e complementar uma a outra.

Antes de adotar um ou outro modelo, analise os pontos positivos e negativos desses métodos e verifique a maior aderência com relação aos projetos que ele se aplica e quais projetos deverão ser conduzidos em um método ou em outro e até mesmo avaliar se vale a pena trabalhar com os dois métodos. O mais importante é que a qualidade do projeto ou produto seja o mote principal!

Abraços e até a próxima.

*Márcio Santos é Gerente de Projetos da CorpFlex.