OLX quer aprimorar experiência de compra, muito além do digital

CEO Andries Oudshoorn fala sobre o desafio da empresa e como está mudando a estratégia para conquistar esse objetivo.

Não faz muito tempo, a forma mais usada para anunciar a venda de um produto era por meio dos famosos classificados do jornal. O digital, no entanto, revolucionou esse formato e hoje pode-se vender e comprar de tudo na internet. Atuando nesse mercado há nove anos, a OLX começou pequena e hoje soma mais de meio milhão de anúncios novos em seu site todos os dias, além de fomentar mais de 2 milhões de vendas por mês, cerca de 50 por minuto.

Com presença em 45 países e tendo como acionistas o sul-africano Naspers e o grupo norueguês Schibsted, a OLX no Brasil registra rápido crescimento e em 2018, o primeiro ano em que a OLX foi lucrativa, somou receita de R$ 132 milhões, salto de quase 70% em comparação com o ano anterior, e 10% de margem EBITDA.

Os bons resultados estão sendo revertidos para melhoria dos negócios. Em 2019, a empresa investirá R$ 250 milhões na operação brasileira, aumento de 25% em comparação com 2018. “Direcionaremos esse montante especialmente em tecnologia e recursos humanos”, revela o CEO da OLX, Andries Oudshoorn.

Os esforços, conta, estão em aprimorar e facilitar a negociação dos produtos anunciados, não só no digital como também no analógico. “Quando olhamos o processo todo, a parte difícil não é o marketplace e, sim, o off-line. É um desafio porque é mais complexo, mas é uma oportunidade grande para gerar valor e estar mais próximo da transação”, diz o executivo.

O modelo de negócios da OLX estimula todo o processo de venda no digital, mas a empresa não processa pagamento, deixando para que as partes interessadas negociem a melhor forma de se pagar e receber pelo produto usando o chat da plataforma. “Somos 100% grátis para o usuário particular e sustentamos nossos negócios com assinatura de pessoas jurídica”, explica o CEO.

Oudshoorn conta que a empresa está trabalhando em formas de resolver fricções do mundo off-line por meio de parcerias. Um dos exemplos está na compra de carros pela plataforma. Em parceria com bancos, é possível validar a compra do automóvel e simular o financiamento diretamente no site. Outro exemplo é o Compra e Venda Protegida Itaú, serviço que guarda o valor negociado do carro enquanto o documento é transferido e o veículo é entregue para o novo dono.

Um serviço que está no forno, adianta ele, é o de inspeção da parte técnica dos carros. “Teremos despachantes para ajudar na transferência dos veículos e outras partes de processos automatizado, executando o trabalho sempre com parceiros.”

Cultura sustentável

Uma das missões da OLX no Brasil, assinala o executivo, é mudar a cultura brasileira para a venda de produtos usados, promovendo um modelo contínuo de sustentabilidade. “Em 2010, identificamos um mote de acumular. Em 2019, é desapegar. As pessoas estão vendo que acumular não é bom para o meio ambiente e para a economia.” Com a proposta de estender a vida útil do produto, a OLX informa que conseguiu poupar 5,7 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera em 2017.

Oudshoorn entende que a cultura do brasileiro de comprar e vender usados está começando a ganhar força e a plataforma da OLX tem sido aprimorada constantemente para facilitar o processo, em um formato totalmente ‘mobile friendy’, já que 80% do tráfego da OLX é no mobile. “As pessoas acham que não têm nada para vender, mas todo mundo tem uma roupa, uma bicicleta… Queremos tornar esse um hábito recorrente.”

Combatendo fraudes

Apesar de a OLX conectar pessoas para que elas possam comprar e vender de forma fácil e rápida e não participar ou interferir nas negociações, o site não está imune de fraudes de anunciantes.

Questionado sobre esse fator, Oudshoorn revelou que a empresa trabalha na educação para reduzir ou eliminar as chances de fraudes. São várias as frentes, segundo ele. Com tecnologia, a empresa consegue remover anúncios que infringem as regras. O usuário também pode fazer uma denúncia anônima clicando em “Denunciar” na página do anúncio ou pelo chat.

“Também orientamos as pessoas a buscar lugares seguros para fazer suas transações e olhar o produto antes de pagar. As pessoas querem fazer bons negócios, mas sempre tem alguém querendo se aproveitar da situação e, assim, pessoas caem em golpes. Também temos muitas tecnologias para pessoas denunciar comportamento estranhos”, finaliza ele.

Fonte: Computer World